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Saiba mais sobre uma das principais doenças responsáveis pela mortalidade de cães

06.09.2017

Bernardo de Caro Martins, autor de uma tese sobre a cinomose canina defendida em 2016, explica em entrevista do que se trata a doença, quais suas principais características e como preveni-la. A infecção representa 6% de todas as ocorrências clínicas no Brasil, e até 11% das causas de óbito. Dentre os animais infectados, o índice de mortalidade pode chegar a 80%. Estima-se ainda que a doença seja fatal em 50% dos animais com sinais neurológicos.

A cinomose canina é uma doença infecto-contagiosa causada pelo Morbillivirus. A patologia acomete mamíferos carnívoros terrestres e marinhos. Em cães, a cinomose é uma das principais doenças infecciosas responsáveis por altos índices de morbidade e mortalidade.

O vírus da cinomose é capaz de se desenvolver em diversos tipos de células e órgãos do animal. As principais formas da doença estão ligadas a lesões nos sistemas respiratório, gastrentérico e nervoso. E seus sintomas mais recorrentes são: corrimento nasal e ocular, tosse, anorexia, diarreia, vômito, crises eplépticas, alterações comportamentais e tremores pelo corpo. Esses sinais podem se mostrar isoladamente ou em associação. Alguns animais desenvolvem a doença de forma assintomática, não demonstrando nenhum dos indícios citados. O quadro neurológico mais comumente observado é a encefalite em cães jovens. Nesse caso, os sinais desenvolvidos são neurológicos, ligados a sinais respiratórios e gastrentéricos.

A transmissão do vírus se dá pelo contato com aerossol ou com qualquer secreção/excreção de um animal infectado. Ele também pode ser passado para o feto, de forma transplacentária. O período de incubação do vírus vai de uma a quatro semanas, ou seja, o tempo contido entre o contágio e a manifestação dos sintomas. Os sinais neurológicos, contudo, podem aparecer até quatro meses depois da infecção.

Bernardo diz que identificar a infecção pelo vírus da cinomose pode ser uma missão desafiadora. “A melhor forma de se obter um diagnóstico preciso é utilizando métodos sensíveis e específicos, como a reação em cadeia da polimerase, em que se identifica o material genético do vírus. Estudos recentes indicam que a utilização de amostras de urina e fezes permitem uma sensibilidade e especificidade maior para identificação dele”, explica o especialista.

A prevenção é feita por meio da vacinação. A primeira dose deve ser aplicada entre três e quatro semanas após o animal receber o colostro, primeiro leite produzido depois do parto. Bernardo destaca que “deve-se atentar que as vacinas não resultam em uma proteção imunológica completa, já que cães vacinados podem contrair a doença se tiverem contato com uma variedade do vírus que a vacina não contemplou. Com isso, é importante evitar contato com outros animais com história desconhecida”. A vacina precisa ser repetida anualmente, em dose única.

Bernardo ressalta a importância da realização do tratamento suportivo em tentativa de melhorar o sistema do animal, dando-lhe condições para eliminar o vírus, já que não existem terapias antivirais específicas contra ele. “Acredita-se que doses altas de Vitamina A (10.000 UI/kg, SID, por 7 dias) tenham ação antiviral, já que estudos prévios com furões infectados obtiveram bons resultados”, explica.

O animal que foi acometido pela cinomose e chegou em seu estágio mais evoluído, mesmo não portando mais o vírus, pode apresentar sequelas no sistema nervoso, como déficits motores e de consciência. Por isso, eles precisam fazer uso de anticonvulsivantes, quando for o caso, além de terem sessões de fisioterapia.
 

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