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Caso Clínico produzido pelos alunos de pós-graduação e professores do Setor de Clínica de Ruminantes
Autores: Moisés Freitas, Marina Guimarães Ferreira, Antônio Último de Carvalho, Elias Jorge Facury Filho
No dia 22 de novembro de 2011, um proprietário entrou em contato conosco solicitando visita técnica à sua propriedade, relatando uma alta mortalidade de bezerros de até trinta dias de idade, acarretando grandes prejuízos e uma inviabilidade econômica para a continuação da atividade.
Histórico:
Durante a anamnese foi relatada a mortalidade alta de bezerras entre a segunda e terceira semana de vida, com progressiva perda de apetite, apatia, prostração e morte. O curso da doença era variável, mas sempre acompanhada de diarreia líquida e bastante profusa. A fazenda produz aproximadamente 6.000 litros de leite/dia com 380 vacas em lactação, em um sistema semi-intensivo. Os bezerros nasciam em piquetes maternidade, onde era realizada cura de umbigo e permaneciam com as mães durante 48 horas, porém não havia controle do fornecimento de colostro. No segundo dia de vida os bezerros eram levados para o bezerreiro, onde permaneciam até completarem aproximadamente 70 dias de idade. Os animais eram criados em bezerreiro de sistema tropical, em casinhas individuais com piso de gramíneas e areia, presas por meio de uma coleira e corrente afixadas ao chão. A alimentação, entre o 2° e 60° dia de vida, consistia em quatro litros de leite oferecido uma vez por dia, oriundos de vacas em tratamento para mastite (leite de descarte), e completado quando necessário com leite oriundo de vacas sadias. Também era oferecido concentrado farelado, misturado na própria propriedade.
Ao examinar o bezerreiro foi observado um total de 20 bezerras entre duas e três semanas de vida, e destas 12 apresentavam sinais clínicos de diarreia. O protocolo de tratamento das diarreias neonatais na propriedade consistia na administração de antibiótico (enrofloxacina), anti inflamatório (flunixin meglumine) e probiótico (L. acidophillus: 3,33x106 UFC/g; B.bifidum: 3,33x106 UFC/g; E. faecium; 3,33x106 UFC/g) enquanto durasse o período de patência da enfermidade.
Exame clínico:
Todos os 12 animais com sinais clínicos de diarreia foram examinados, e destes 10 bezerras apresentavam como principais achados clínicos a condição física regular, desidratação entre 6 e 8% e apetite presente. Entretanto dois animais apresentavam condição física ruim, perda do apetite, desidratação grave (acima de 10%) com endoftalmia, turgor de pele diminuido, extremidades frias, apatia, prostração e decúbito.
Figuras 1 e 2: Bezerros 1 e 3 com sinais clínicos de desidratação grave (10-12%)
Exames complementares
Parasitológico de fezes:
Perfil Eletrolítico, hemogasometria e pH urinário:
O perfil eletrolítico hemogasometria e determinação do pH urinário foi realizada em quatro animais, sendo dois animais com condição física regular e dois animais com condição física ruim. Os resultados das hemogasometrias e do pH das amostras de urina dos quatro animais encontram-se na tabela abaixo:
Tabela 01: Valores das concentrações séricas eletrolíticas (Na+, K+, Cl-, HCO3-), gasométricas, pH, excesso de base (EB), janela aniônica (Anion Gap), hematócrito, hemoglobina, nitrogênio uréico sérico (BUN), glicose, lactato e pH e densidade urinária das bezerras enfermas atendidas na propriedade.
Com base na sua interpretação, quais são as alterações do equilíbrio ácido-base dos animais com diarreia neonatal e seu tratamento para os quadros clínicos?
1. Animais 1 e 3 apresentam uma acidose metabólica compensada, devido ao aumento da concentração sérica de potássio e do lactato, redução do pH sanguíneo; Tratamento – fluidoterapia oral associado ao uso de anti inflamatório.
2. Animais 2 e 4 apresentam uma acidose metabólica não compensada, pois há uma redução nas concentrações de íon HCO3-, TCO2 e do Excesso de Base; Tratamento – fluidoterapia intravenosa com reposição HCO3-.
3. Animais 2 e 4 apresentam uma acidose metabólica compensada, pois são observados os mecanismos de regulação do organismo em tentar manter o pH dentro da faixa de normalidade; Tratamento – fluidoterapia oral ou intravenosa associada ou não ao uso de anti inflamatório.
4. Animais 1 e 3 apresentam uma acidose metabólica não compensada; Tratamento – fluidoterapia intravenosa com reposição da volemia, elevar o excesso de base com soluções alcalinizantes e reposição gradativa de potássio associada ao uso de antinflamatórios
5. Animais 1, 2, 3 e 4 apresentam uma acidose metabólica não compensada, pois em todos os casos há uma redução do pH, HCO3-,TCO2 e excesso de base juntamente com elevação dos valores de anion gap; Tratamento – fluidoterapia oral ou intravenosa associada ou não ao uso de anti inflamatório.
6. Animais 1, 2, 3 e 4 apresentam uma acidose metabólica compensada, pois é observado os mecanismos de regulação do pH pelo organismo como hipercalemia e redução do PaCO2; Tratamento – fluidoterapia oral ou intravenosa associada ou não ao uso de anti inflamatório.